Fotos de mães amamentando os filhos estão cada vez mais populares. Essas imagens tem virado tendência e servem para quebrar o tabu. Ou seja, é mais do que necessário campanhas que mostrem e incentivem esse ato materno.  

Algumas famílias tem feito sessões de fotos mais elaboradas, feitas por profissionais. Este foi o caso da norte-americana Jesi Taylor Cruz. Ela é jornalista e doula e aproveitou para posar com a filha no colo e chamou a atenção por ter vitiligo.

A doença é caracterizada pela perda da coloração da pele, que gera as manchas brancas bem características. Segundo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as lesões dermatológicas são formadas pela diminuição ou ausência de melanócitos nos locais que são afetados.

Assim que Jesi postou a foto nas redes, ela recebeu vários elogios. “Você é tão bonita. E sua doce bebê também. Continue brilhando com sua luz e ela alcançará todo o ódio que habita o mundo. Você é perfeita do jeito que é”, disse uma seguidora.


Como tudo o que repercute na internet, a publicação da jornalista recebeu comentários muito negativos. Porém, a mãe compartilhou outra foto e, desta vez, desabafou sobre o caso na legenda. Confira o relato na íntegra:


"Sim, eu tenho a doença de pele que o Michael Jackson tinha, mas eu escolhi não usar o creme que preenche o processo de despigmentação, então minha pele tem algumas manchas brancas. Não é contagioso! E pode acontecer com QUALQUER pessoa em qualquer momento. Se chama Vitiligo.
  1. Eu acho que alimentar é o melhor! O que você puder fornecer, e o que for melhor para a sua família, cabe a você! Desde que você alimente sua criança, isso é o que importa!
  2. Eu não machuquei minha criança ao tirar a foto e não machuco ela nunca. Eu sou uma defensora da paternidade consciente. Eu fui abusada violentamente quando pequena, então sou 100% contra qualquer tipo de abuso infantil. A foto foi tirada em um ambiente seguro. Um dia, se minha filha estiver incomodada com a foto, eu explicarei por que foi tirada e por que postei na internet. E a razão é que…
  3. A maioria dos meus ancestrais, até mesmo os que viveram no século 19, foram escravizados. As mulheres eram estupradas e engravidadas e não podiam criar os seus próprios filhos, porque eram vendidas pelo sistema de escravidão. Algumas delas eram forçadas a cuidar dos filhos de seus donos. Eu sou grata por ser uma mulher negra que pode cuidar e criar do próprio filho. Algumas gerações atrás isso não seria possível. Eu sou uma mãe negra com vitiligo que cuida da própria criança. Eu quero normalizar a amamentação e normalizar o vitiligo na mídia, porque tem tanta desinformação por aí sobre os dois. Eu também sou uma jornalista, você consegue encontrar meus textos online e se você der um ‘google’ no meu nome achará várias campanhas que participei. Minha criança é amada, saudável, e tão feliz. Tão segura. Essa é uma mensagem para os milhares de estranhos que estão preocupados comigo ou com minha filha: nós estamos bem. E se minha filha tiver questões ou preocupações no futuro, nós temos acesso aos recursos que podem ajudar. Eu não tenho sarampo ou outro vírus, mas mesmo se eu tivesse ninguém teria o direito de nos envergonhar ou de ser cruel. Faça o seu. Nós faremos o nosso. Te desejo o melhor. Quero nada menos que saúde e segurança para você. Abençoado seja 🌙✨.”

Por: Gabriela Bertoline, filha de Maria José e Marcel

Leia também:

Usar diminutivo com seu filho pode afetar o aprendizado na infância

Criança segue exemplo, não conselho

Amamentação exclusiva: um ato de amor que não dá para abrir mão